Ademário Alves: “Invertemos a lógica: o Estado só gasta se tiver condição de pagar”

Belivaldo nos deu a missão de priorizar a folha e evitar parcelamento”

Quando o nome de Ademário Alves de Jesus ecoou nos bastidores da política de Sergipe, lá pelo mês de março, como provável figura a assumir o comando da Secretaria de Estado da Fazenda, muitos dos narizes classudos do Estado torceram-se, e alguns tantos olhares miraram a possibilidade com um certo e desabrido desdém.

Ora, mas como, se ninguém nunca ouviu falar desse cara de nome tão comum? Além de um Ademário, um Alves, arrematado por um de Jesus? Como, se não vinha do Fisco? Não vinha da política de Sergipe. Não descendia da academia, da universidade. Não é economista, contador e muito menos administrador de empresas. Mais do que isso: era um sergipano que estava fora de Sergipe. Em Pernambuco. “No Ricife”.

Mas tem um “mais do que isso” ainda mais grave: apesar de barbudinho, é um sujeito quase imberbe de vida. Noviço: tem apenas 35 anos. Para o tom pesado das Finanças, e mais ainda nesta hora pânica, um quase-menino. Como que um cara com esse perfil e esse pedigree poderia dar certo – ainda por cima na sucessão de um medalhão-doutor e macambuzio, como Josué Modesto dos Passos Subrinho, um sujeito que quase se eternizara como reitor da vetusta UFS?

Para agravar mais ainda a biografia de Ademário Alves, ele é um jornalista. Sujeito signatário, portanto, de uma profissão que geralmente é afamada por hospedar gente com deficiência crônica na matemática e em áreas afins. Mas cabe aqui uma ponderação significativa e honesta: desde os 16 anos, como um estagiário do Banco do Nordeste do Brasil – BNB – lá na sua Carira, esse Ademário Alves tem a mão e o corpo inteiro na massa das finanças. Das questões bancárias, da gerência de banco, do mercado de capitais.

Aos 21 anos, Ademário estava aprovado como funcionário efetivo do BNB depois do quatro como estagiário da instituição. Foi o mais jovem coordenador estadual e nacional do Crediamigo do BNB. Ao seu convidado pelo governador Belivaldo Chagas para assumir a Sefaz, já com 35 anos feitos – é de 7 de março de 1983 -, encontrava-se aboletado na Agência-Centro, a principal do Recife, que há três anos ele liderava na condição de a melhor e mais rentável do Estado do BNB em Pernambuco.

Ao receber o convite para voltar à sua terra, mas agora como secretário de Estado da Fazenda, Ademário Alves não vacilou. E, admite, para isso contribuiu muito sua crença pessoal nos objetivos do governador Belivaldo Chagas. “Porque se fosse um convite aventureiro, eu não aceitaria. Mas como percebi que o objetivo dele era sério, era de organizar as coisas, que coincide com meu perfil, de pronto chegamos a um acordo e eu topei assumir esse desafio, essa missão”, diz Ademário.

Parece ter dado certo a química entre dois. Há 90 dias, Sergipe estancou o chora-chora dos salários atrasados ou do parcelamento deles. Modesto, senhor de pouca empáfia, Ademário Alves admite que a reengenharia das finanças públicas de Sergipe está sendo equacionada graças mais à sensibilidade e às exigências do gestor principal do Estado. “O próprio governador Belivaldo nos deu a missão de priorizar a folha acima de tudo e evitar o parcelamento”, diz.

Para Ademário Alves, o sucesso da parceria dele com o gestor Belivaldo Chagas começa por uma atitude de extremo rigor, e a muito basilar neste momento dificultoso: a do estancamento das liberdades de que cada secretaria e cada órgão do Estado gastasse ao léu, sem saber de suas reais capacidades de pagar o comprado ou o contratado. Sem dar justificativa ao Governo por seus atos e gastos.

“Acho que a principal medida, e a mais difícil, que adotamos foi a de inverter a lógica dos pagamentos do Estado, porque antes cada órgão e Secretaria tinham autonomia para gastar. Muitas vezes independentemente do que estava dentro do orçamento das pastas. Então muitos órgãos e secretarias acabavam tendo uma despesa além e hoje cada Secretaria só pode autorizar qualquer despesa depois de passar por um colegiado, o do Craf – composto por representantes da Sefaz, Secretaria de Planejamento, Procuradoria-Geral, Secretaria de Governo e o governador”, diz ele.

AS DUAS PRINCIPAIS LINHAS DE AÇÃO
“Estamos seguindo duas linhas: a do enfretamento das despesas, no sentido de conseguir reduzi-las sem que reduza o serviço prestado pelo Estado; a segunda, é no campo das elevações das receitas”

Avalia que o sucesso da parceria dele com o gestor Belivaldo Chagas começa por uma atitude de extremo rigor: estancar as gastanças ao léu

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Ademario e seu passatempo preferido: os livros

DA RECUPERAÇÃO DO QUE É DEVIDO
“A ideia é, no campo da receita, recuperar muita coisa que é devida – por grandes grupos, inclusive – e, da mesma forma, lançar mão de outras receitas que o Estado está indo buscar. A dívida ativa é de R$ 7 bilhões. É alta para os padrões da nossa economia”

JLPolítica – Secretário, quais foram os caminhos reais seguidos na adoção da regularização das finanças de Sergipe?
Ademário Alves – 
Na verdade, estamos seguindo duas linhas: a primeira é no enfretamento das despesas, no sentido de conseguir reduzir os valores das despesas de custeio, aquelas que não reduzam a qualidade do serviço prestado pelo Estado; a segunda, o outro caminho, é no campo das elevações das receitas. Sejam elas extraordinárias ou ordinárias. São essas as principais linhas de atuação.

JLPolítica – É possível elevar receita em época de recessão?
AA –
 Sim, é possível. Porque, na verdade, com eficiência, gestão e inteligência, você consegue basicamente recuperar o que já foi devido. A ideia é, no campo da receita, recuperar muita coisa que é devida – por grandes grupos, inclusive -, e, da mesma forma, lançar mão de outras receitas, que o Estado está indo buscar. Receitas extraordinárias, que também tendem a dar uma boa contribuição para o fechamento das contas de 2018.

JLPolítica – Mas como é que está o comportamento do Estado no equilíbrio de suas receitas e despesas?
AA –
 Hoje, o cenário atual não é alvissareiro. Nós temos um a despesa fixa de aproximadamente R$ 600 milhões – entre folha, custeio e outras, e nossa arrecadação fica próxima a R$ 550 milhões, em média. Então, há um déficit mensal estruturado estimado em R$ 50 milhões. Anualmente, dá algo em torno de R$ 500 a R$ 600 milhões.

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O governador Belivaldo Chagas empossou o novo secretário de Estado da Fazenda (Sefaz), Ademário Alves de Jesus, em 10 de abril deste ano

A QUALIDADE DA MÁQUINA DA SEFAZ
“O Estado vem fazendo alguns investimentos por parte do BID e do Banco Mundial. Está em estudo um novo concurso. O último foi há mais de 30 anos e é necessário reoxigenar, unindo a experiência de auditores atuais à energia dos mais jovens que tendem a chegar”

JLPolítica – É possível governar assim ou isso deve explodir?
AA –
 Na verdade, isso já vem se alongando desde os últimos cinco anos. O déficit vem sendo postergado ano a ano. O problema é que agora em 2018 não será mais possível fazer isso, por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal, por ser o último ano de mandato e não consentir passar dívidas de uma gestão para outra. Então a gente precisa fazer um ajuste forte até dezembro, de modo a não postergar despesas para 2019. Não por não querer, e sim por não poder.

JLPolítica – É pertinente botar a culpa só na Previdência por esse déficit?
AA –
 Eu diria que a Previdência é o problema mais grave, por causa exatamente do déficit – a previsão para esse ano é de que supere R$ 1 bilhão. Então, a Previdência é o maior gargalo, sem dúvida. Contudo, acredito que medidas de gestão não só podem como irão contribuir para mitigar esse impacto da Previdência até que se tenha uma solução mais estrutural para esse déficit.

JLPolítica – Como é que o senhor encontrou a máquina pública na esfera da Sefaz, passando pela composição do Fisco, da sua configuração tecnológica e pessoal?
AA – 
Fizemos um apanhado e vimos que, do ponto de vista tecnológico, o Estado vem fazendo alguns investimentos por parte do BID e do Banco Mundial. Do ponto de vista de pessoal, temos uma boa equipe. Numericamente falando, há um quantitativo suficiente. Infelizmente, temos um cenário que é o mais desafiador, que é o fato de o Estado ter mais de 30 anos sem realizar concurso para auditor.

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Substituiu Josué Modesto, que foi para a Educação

HOUVE DESCONFIANÇA POR SER MUITO JOVEM?
“Para mim ninguém nunca chegou a dizer que não acreditava na minha capacidade. Mas é provável que, no externo, quando se fale em alguém de 35 anos neste posto, se pergunte se tem ou não a experiência necessária”

JLPolítica – Qual a solução para isso?
AA – 
Nesse cenário, está em estudo, foi até autorizado pelo Craf – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais -, um novo concurso. Em virtude das finanças do Estado, estamos avaliando o melhor momento. Mas é uma decisão que já está tomada. O Estado só está aguardando o melhor momento de colocá-la em prática, porque entendemos que, como o último foi há mais de 30 anos, é necessário reoxigenar, unir a experiência dos auditores atuais à criatividade, inovação e energia dos mais jovens que tendem a chegar.

JLPolítica – Esses poucos atuais lhe têm sido solidários?
AA – 
Sim, nós temos mantido um bom diálogo com os dois Sindicatos – o Sindat e o Sindifisco. E a gente já expôs a situação do Estado, inclusive ouvindo as sugestões deles. Muitas das medidas são com base nessas sugestões dos Sindicatos e dos funcionários da Sefaz.

JLPolítica – O senhor discorda do Sindifisco, na visão de que a Sefaz está sucateada?
AA –
 O Estado como um todo, e o país também, sofre com esse problema de déficit estrutural. Há carência de estradas, de tecnologia, enfim, de infraestrutura. Isso não é diferente em qualquer órgão da administração pública estadual ou federal. Em relação especificamente à Sefaz, tecnologicamente eu não acho que estejamos defasados. Acho que precisa melhorar processos e pessoal – e com o concurso isso se opera. Porque é possível melhorar produtividade de três maneiras: através de pessoas, de processos, e de investimento tecnológico. Esses três pilares compõem o nosso trabalho.

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Noviço: tem apenas 35 anos

O QUE BELIVALDO BUSCAVA NA SUA PESSOA?
“Bem, acredito que ele estava procurando realmente um técnico para contribuir com a melhoria da gestão e das finanças do Estado. Meu nome chegou a ele por acaso, através de um amigo que acabou indicando-me”

JLPolítica – Qual é o montante da dívida ativa do Estado?
AA – 
Cerca de R$ 7 bilhões. É uma dívida alta para os padrões da nossa economia. Claro que esse montante considera tudo – juros, multa. Não só o principal. É aproximadamente o valor de um orçamento do Estado. Isso vem se acumulando ao longo de décadas, não foi formada da noite para o dia. O fato é que com o agravamento da crise nos últimos cinco anos, o valor da dívida aumentou. E a gente vem conseguindo recuperar muito pouco.

JLPolítica – Com quantos auditores fiscais a Sefaz conta hoje?
AA –
 Com cerca de 490.

JLPolítica – Qual número seria o ideal?
AA –
 Na verdade, não temos como afirmar, porque vai depender do redesenho das atividades que a gente está planejando. Estamos revendo o planejamento estratégico da Sefaz para, com base nele, definir as atividades prioritárias e aí chegaríamos a um quantitativo ideal. Mas não dá para fazer isso hoje, sem um diagnóstico completo.

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Diz que a Secretaria não está 100% dentro das necessidades, mas também não prega o caos dela

SINERGIA COM BELIVALDO É MUITO BOA NAS IDEIAS
“Às vezes penso em algumas soluções, ele vem com outras e a gente senta, define as ideias e acaba implementando-as. Tem havido pouca discordância entre a gente. As ideias têm sido, em geral, muito próximas”

JLPolítica – O que mais foi dificultoso nesses 80 dias para tocar a Secretaria?
AA –
 Não tenho enfrentado maiores obstáculos. O desafio de todo iniciante na atividade é o de conhecimento das rotinas porque, no primeiro momento, é preciso se inteirar delas, de todo o arcabouço do poder público, porque existe um todo um rito do setor público que é diferente do do setor privado ou do de um banco. Então, foi isso que a gente buscou aprender nos últimos dias.

JLPolítica – O senhor sentiu algum tipo de desconfiança no geral por ser novo na idade e na esfera pública?
AA – 
Não. Pelo menos para mim ninguém nunca chegou para dizer que não acreditava na minha capacidade de dar conta da missão. Mas é provável que na população, no público externo, quando se fale em alguém de 35 anos neste posto, se pergunte se a pessoa tem ou não a experiência necessária. Até porque hoje sou o secretário de Fazenda mais novo do país. O segundo mais novo deve ter mais de 40. Então é realmente uma situação excepcional. Mas não tenho obtido nenhuma dificuldade.

JLPolítica – O senhor tem um porquê justo para sua escolha por Belivaldo para a Secretaria de Estado da Fazenda?
AA –
 Bem, acredito que ele estava procurando realmente um técnico para contribuir com a melhoria da gestão e das finanças do Estado. Meu nome chegou a ele por acaso, através de um amigo que acabou indicando-me. Então, acredito que o motivo foi o acaso de ele conhecer um amigo meu que conhece o meu trabalho. Esse amigo foi André Tavares, um ex-executivo do BNB.

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“Mesmo não sendo um político, entendo que, fazendo parte de uma gestão pública, você precisa saber, estar inteirado”, diz

O GOVERNADOR TEM UMA VISÃO MUITO BOA DE GESTÃO
“Eu me surpreendi, inclusive. Ele conhece o Estado no detalhe, em cada Secretaria. Então tem sido muito fácil trabalhar com ele, porque também tem um perfil de gestor”

JLPolítica – O espólio deixado pela era Josué Modesto dos Passos Subrinho ajudou mais ou mais lhe atrapalhou?
AA –
 Acho que todo trabalho pretérito é positivo, porque você já encontra uma rotina e acaba implementando seu jeito de gerir a partir do que você identifica ali. Então, não apenas o professor Josué, mas todos os outros secretários contribuíram para que a Sefaz chegasse ao nível atual. Essa contribuição é importante. Você não começa nada sozinho, ou do zero. Se hoje a gente está podendo melhorar a gestão, acelerar os processos, é graças também ao trabalho pretérito dos colegas que por aqui passaram.

JLPolítica – Se não está havendo mais, na sua gestão, parcelamento de salário dos servidores, isso revela que não havia um bom planejamento no passado?
AA – 
Não posso afirmar isso, porque não sei como era a forma de gestão dos ex-colegas que passaram por aqui. O fato é que meu perfil de gestão é o de acompanhar os números no detalhe. Cada centavo. Cada conta, cada despesa. E, adicionalmente, o próprio governador Belivaldo nos deu a missão de priorizar a folha acima de tudo e evitar o parcelamento.

JLPolítica – Quanto de dívida a credores – sem contar empréstimos – tem hoje o Estado de Sergipe?
AA – 
Depende muito, porque tem as DEAs – Despesas de Exercícios Anteriores –, dívidas que a gente precisa avaliar, porque precisam ser validadas por órgão de controle. Não é fácil chegar a um número exato, mas a nossa estimativa é de algo em torno de R$ 300 a R$ 400 milhões.

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Ato de inauguração de uma agência BNB da qual ele foi gestor

O QUE O FEZ TOPAR O DESAFIO
“Se fosse um convite aventureiro, não aceitaria. Mas como percebi que o objetivo dele era sério, de organizar as coisas, que coincide com meu perfil, de pronto chegamos a um acordo e topei esse desafio, essa missão” 

JLPolítica – Isso é muito ou pouco?
AA –
 É muito. Porque se você pensar que há um déficit estrutural de R$ 500 milhões, significa que se não for feito nada, teremos R$ 500 milhões mais R$ 300 milhões. Ou seja, fecharíamos o ano com um R$ 800 milhões de passivo de fornecedores.

JLPolítica – O senhor leva mais soluções ao governador Belivaldo Chagas ou mais acolhe as determinações dele nesta nova reengenharia das finanças públicas?
AA –
 Acho que temos tido uma sinergia muito boa. É impressionante, porque às vezes penso em algumas soluções, ele vem com outras e a gente senta, define as ideias e acaba implementando-as. Tem havido pouca discordância entre a gente. As ideias têm sido, em geral, muito próximas. O governador tem uma visão muito boa de gestão. Eu me surpreendi, inclusive. Ele conhece o Estado no detalhe, em cada Secretaria. Então tem sido muito fácil trabalhar com ele, porque ele também tem um perfil de gestor.

JLPolítica – O governador Belivaldo Chagas lhe é paciente ou mais impaciente nas urgências do Estado?
AA – 
Quando é coisa urgente, ele é impaciente. Da mesma forma que eu. Também não costumo deixar trabalho para depois. Quando precisa ficar até tarde, a gente fica até às 23h, meia-noite, resolvendo os problemas do Estado.

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Com a turma do gargarejo da Sefaz que compõe a sua força tarefa

RAZÕES PARA EQUILIBRAR AS CONTAS DO ESTADO
“A medida mais difícil foi a de inverter a lógica dos pagamentos. Antes, cada órgão e Secretaria tinha autonomia para gastar. Hoje só autoriza qualquer despesa depois de passar por um colegiado. Por isso que vamos equilibrar as contas do Estado”

JLPolítica – Qual era o seu conhecimento pessoal de Belivaldo e seu nível de relação com ele até o convite dele para ser secretário?
AA –
 Nunca havia estado com ele pessoalmente. Na verdade, por estar fora do Estado, eu ouvia falar dele pela imprensa. Eu sabia que ele era o vice-governador e que já havia sido deputado, mas nunca havia tido a oportunidade de conversar com ele pessoalmente. Isso só veio acontecer 15 dias antes de assumir a Secretaria.

JLPolítica – O senhor vacilou no convite dele, no sentido de assumir ou de não assumir?
AA – 
Não. Quando eu tive a informação do convite, quando esse meu amigo falou a respeito, eu refleti ao longo de duas semanas. Então, quando o governador me convidou para conversar e formalizou o convite, já estava analisando e me preparando para a decisão, mas eu não queria decidir antes de ter uma conversa com ele e realmente sentir o nível de compromisso que ele teria com o Estado. Porque se fosse um convite aventureiro, eu não aceitaria. Mas como percebi que o objetivo dele era sério, era de organizar as coisas, que coincide com meu perfil, de pronto chegamos a um acordo e eu topei assumir esse desafio, essa missão.

JLPolítica – Qual foi a medida mais difícil de ser adotada e de ser acolhida e processada pelo Governo?
AA –
 Acho que a principal medida, e a mais difícil, que adotamos foi a de inverter a lógica dos pagamentos do Estado, porque antes cada órgão e Secretaria tinha autonomia para gastar. Muitas vezes independentemente do que estava dentro do orçamento das pastas. Então muitos órgãos e secretarias acabavam tendo uma despesa além, e aí nós invertemos a lógica e hoje cada Secretaria só pode autorizar qualquer despesa depois de passar por um colegiado, o do Craf – composto por representantes da Sefaz, Secretaria de Planejamento, Procuradoria-Geral, Secretaria de Governo e o governador. A gente delibera as decisões e dá ciência ao governador – claro que ele pode vetar. Mas é por isso que vamos equilibrar as contas do Estado, porque nós fechamos a torneira. Você só pode gastar se tiver autorização e só será autorizado no que o Estado tem condição de pagar.

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Dando uma de peladeiro – um dos agachados – com colegas bancários

SEGURANÇA SALARIAL PARA O FUNCIONÁRIO
“Para o funcionário, mais importante que receber no dia 30, é saber quando vai receber. Então, o foco é esse: independentemente de antecipar data, é a segurança. Saber que o Estado vai ter dinheiro para pagar e a data que pagará”

JLPolítica – Os demais gestores foram solidários a essa decisão?
AA –
 A informação que eu tenho é de que pelo menos comigo ninguém questionou. Mas é uma decisão de Governo, não se trata de uma decisão unilateral da Sefaz nem pessoal do secretário.

JLPolítica – É muito curto para se imaginar até dezembro uma folha de pagamento cumprida dentro do mês?
AA – 
Nosso foco, o foco do Governo, é o da previsibilidade. Você ter um calendário. Porque para o funcionário, mais importante do que receber no dia 30 ou no dia tal, é saber quando vai receber. Então, o foco é esse: independentemente de antecipar a data, é a segurança. Saber que o Estado vai ter dinheiro para pagar e a data que pagará. Se nós conseguirmos divulgar um calendário – seja em julho, ou em agosto -, essa seria a maior vitória, porque há alguns anos o funcionário não sabe o dia exato que vai receber. Com o calendário, o funcionário pode programar uma viagem, por exemplo. Uma compra a prazo de um veículo ou de uma casa, que ele não podia fazer, será possível. Da mesma forma, os bancos não estavam emprestando por não saberem se o funcionário recebia, então é lógico que isso vai impactar a economia do Estado.

JLPolítica – O senhor já sente os 60 mil servidores do Estado mais tranquilos?
AA – 
O fato que temos é que desde que o governador Belivaldo e nós assumimos, coincidentemente foram três meses sem parcelamento de salário. Tenho ouvido que os funcionários estão satisfeitos com esse trabalho, por essa priorização da folha por parte do Governo. É claro que ainda não é o cenário ideal. O ideal era que a gente já tivesse um calendário, mas o governador está empenhado – e a Secretaria também – nesse objetivo.

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Com o pai, a mãe e os dois irmãos

PREOCUPAÇÃO DE SE INTEIRAR DA CENA POLÍTICA
“Aos finais de semana, converso com amigos, leio jornais, sites, inclusive o JLPolítica, e a gente acaba se inteirando. Mesmo não sendo um político, entendo que, fazendo parte de uma gestão pública, você precisa saber, estar inteirado”

JLPolítica – O senhor tem tempo para olhar a cena política e em suas implicações de sucessão e outros que tais?
AA –
 Acabo que, aos finais de semana, converso com amigos, leio jornais, sites, inclusive o JLPolítica, e a gente acaba se inteirando. Mesmo não sendo um político, entendo que, fazendo parte de uma gestão pública, você precisa saber, estar inteirado sobre o que está acontecendo não apenas aqui em Sergipe, mas no Brasil e no mundo.

JLPolítica – O senhor fez um bom negócio ao deixar o BNB por um período secretarial de apenas 8 meses?
AA –
 É um desafio pessoal e profissional, porque eu já havia conquistado e feito praticamente todos os desafios lá no BNB, em todas as áreas que passei. Fui o gestor mais novo de Micro Crédito, de Agência, da área de micro finanças também do país, o gestor mais jovem de Agência de Capital, sempre com os melhores resultados para as agências: a que estava antes, lá em Recife, foi três anos seguidos a melhor agência do banco. Então, eu vim pelo desafio, mas acima de tudo porque acredito que a gestão pode melhorar o Estado e o país. Vim para dar uma contribuição ao Estado.

JLPolítica – Procede a informação de que o senhor estaria na linha de montagem para virar um superintendente do BNB?
AA –
 Seria um processo natural. De todos as etapas seletivas internas a superintendente tinha todos os requisitos preenchidos, então seria um trâmite natural, caso eu não tivesse pedido licença, que em algum momento eu pudesse chegar a alguma Superintendência.

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Com Lamarque, o irmão, mais velho que ele, na Irlanda

SEFAZ É UM DESAFIO PESSOAL E PROFISSIONAL
“Fui o gestor mais novo de Microcrédito, de Agência, da área de micro finanças também do país, o gestor mais jovem de Agência de Capital, sempre com os melhores resultados. É um desafio pessoal e profissional”

JLPolítica – Por que fez Comunicação Social, habilitando-se em Jornalismo, para seguir uma carreira bancária e ligado às finanças?
AA –
 Na verdade, sempre fui muito curioso e gostava muito de ler, sobre tudo: economia, administração, política. E quando chegou a época de fazer o vestibular, para não ficar apenas focado em um único grupo de aprendizado, preferi fazer Comunicação, porque assim teria a oportunidade de aprender um pouco de tudo. Basicamente foi por isso.

JLPolítica – Ter formação comunicacional lhe ajuda nesta hora pânica?
AA – 
Acho que com a Comunicação você aprende um pouco a se colocar no lugar do outro, a ouvir mais do que falar. Então, apesar de nunca ter exercido a função, entendo que a formação que eu obtive me estimulou a leitura, o ouvir, e isso contribui para qualquer área de atuação pessoal e profissional que eu venha a me dedicar.

Fonte.JLPolitica

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